segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pra que ler um livro?


Tudo bem se não há gosto por livros de auto-ajuda
achar ridículo ver pessoas mudando de comportamentos por causa deles
mas diga
quais livros que não passam mensagens ou um apredizado?

Seguimos bula de remédio, que não deixa de ser um manuscrito
acompanhamos receitas pra preparar algum prato
tudo que se é escrito é pra passar algo
até os coitados dos livros escolares
querem ou tentam passar conteudos que vão ser ensinados

Que me diga
que me mostre
qual o livro que vá passar nada
se for assim
Simplesmo não leio,
Não compro
e se eu for presenteado
me servirá como um belo peso de porta

sábado, 20 de dezembro de 2008

Ai que saudades


Que saudade das rodas
Que saudade das rosas
Que saudade que eu tenho dos versos e prosas
cantados em noites gostosas

Sinto falta das noites varridas,
nas praças, nas prais,nas ruas, na vida,
Sinto falta da minha vida.
Ai que SAUDADES!!!


Bruno dos Anjos
Angra dos Reis,30.09.2006

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Você pode tentar de tudo
Mas pode ter certeza
que uma coisa você não
consegue:
É me irritar

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Ama como se fosse o único


Diz sempre ter encontrado o amor
Nada de coisas normais
Quer aventuras e diferenças
Quer amar profundamente
Quer mostrar pro mundo a sua nova paixão

Escreve de amor,
De suas aventuras e
Das suas angústias
No caderninho amarrotado de coisas bonitas e
De coisas não ditas

Quer saber o que sente
Tentar descobri-lo
Redescobri-lo
Cobri-lo de palavras bonitas
De cores e poemas

Na realidade, não sabe o que fazer
Nem o que dizer
Só omiti e disfarça as verdades
Ou serão as mentiras?
Que sonhe, mas viva!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Feito para

Queria ter
mas foi feito pra ser de todo mundo
feito pra olhar
não pra namorar

Conhecer mais
mas foi feito de mistérios
feito de segredos
não pra ser sempre sincero

Ficar junto
mas foi feito pra admirar
feito pra se apaixonar
não pra amar

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Diz


Só por ser um pouco diferente
não precisa tornar-se exatamente igual a você.
Por que você não deixa ele ser assim?
Só porque você pode ir a lugares que ele não vai
De ter o que ele não tem
De deixá-lo sem graça, sem jeito, com vergonha
Diz.
É porque ele é diferente?
Ou por você, não ser igual a ele?
Quem é o diferente?
Ele ou
Você?

Ainda sonhar que um dia serão iguais
pensarão iguais
irão aos mesmos lugares
Será realmente os lugares que você gostaria de ir?
Ou vai porque o outro vai também?
Diz
Quem é você?
Do que você gosta?
De quem você gosta?

Só porque é assim
não tenta e nem pensa ser
Somente é
sem querer e nem imitar.
Diz
Quem imita quem?
Ele que imita você?
Ou você é que imita ele?

Omiti algo que não se sabe
Ou algo que se sabe e não o compreende?
Querer aceitar
Poder amar
Sem aquilo que realmente sente ao vê-lo
Diz
O que você sente?
Por que você sente?
Só ele que sente ou você sente também?

Só quer olhá-lo,
respeitá-lo
De deixá-lo ser o que é
e de aceitá-lo do jeito que é
de não sentir vergonha e parar de deixá-lo sem graça
diz.
É difícil?



PS: Quem sabe o que ele só queria é tê-lo ao lado pra ver o mar ou somente tê-lo para mostrar seu poder de mudar alguém.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A liberdade de ver os outros


Um dos escritores mais admirados de sua geração, o americano David Foster Wallace se suicidou no mês passado, aos 46 anos, enforcando-se. Este texto foi tirado de seu discurso de paraninfo para formandos do Kenyon College, há três anos


Por David Foster



Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:

– Bom dia, meninos. Como está a água?

Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:

– Água? Que diabo é isso?

Não se preocupem, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio que explica o que é água ao peixe mais novo. Não sou um peixe velho e sábio. O ponto central da história dos peixes é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser a mais difícil de ser reconhecida. Enunciada dessa -forma, a frase soa como uma platitude – mas
é fato que, nas trincheiras do dia-a-dia da existência adulta, lugares comuns banais podem adquirir uma importância de vida ou morte.

Boa parte das certezas que carrego comigo acabam se revelando totalmente equivocadas e ilusórias. Vou dar como exemplo uma de minhas convicções automáticas: tudo à minha volta respalda a crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, de que sou a pessoa mais real, mais vital e essencial a viver hoje. Raramente mencionamos esse egocentrismo natural e básico, pois parece socialmente repulsivo, mas no fundo ele é familiar a todos nós. Ele faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos.

Querem ver? Todas as experiências pelas quais vocês passaram tiveram, sempre, um ponto central absoluto: vocês mesmos. O mundo que se apresenta para ser experimentado está diante de vocês, ou atrás, à esquerda ou à direita, na sua tevê, no seu monitor, ou onde for. Os pensamentos e sentimentos dos outros precisam achar um caminho para serem captados, enquanto o que vocês sentem e pensam é imediato, urgente, real. Não pensem que estou me preparando para fazer um sermão sobre compaixão, desprendimento ou outras “virtudes”. Essa não é uma questão de virtude – trata-se de optar por tentar alterar minha configuração padrão original, impressa nos meus circuitos. Significa optar por me libertar desse egocentrismo profundo e literal que me faz ver e interpretar absolutamente tudo pelas lentes do meu ser.

Num ambiente de excelência acadêmica, cabe a pergunta: quanto do esforço em adequar a nossa configuração padrão exige de sabedoria ou de intelecto? A pergunta é capciosa. O risco maior de uma formação acadêmica – pelo menos no meu caso – é que ela reforça a tendência a intelectualizar demais as questões, a se perder em argumentos abstratos, em vez de simplesmente prestar atenção ao que está ocorrendo bem na minha frente.

Estou certo de que vocês já perceberam o quanto é difícil permanecer alerta e atento, em vez de hipnotizado pelo constante monólogo que travamos em nossas cabeças. Só vinte anos depois da minha formatura vim a entender que o surrado clichê de “ensinar os alunos como pensar” é, na verdade, uma simplificação de uma idéia bem mais profunda e séria. “Aprender a pensar” significa aprender como exercer algum controle sobre como e o que cada um pensa. Significa ter plena consciência do que escolher como alvo de atenção e pensamento. Se vocês não conseguirem fazer esse tipo de escolha na vida adulta, estarão totalmente à deriva.

Lembrem o velho clichê: “A mente é um excelente servo, mas um senhorio terrível.” Como tantos clichês, também esse soa inconvincente e sem graça. Mas ele expressa uma grande e terrível verdade. Não é coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre o façam com um tiro na cabeça. Só que, no fundo, a maioria desses suicidas já estava morta muito antes de apertar o gatilho. Acredito que a essência de uma educação na área de humanas, eliminadas todas as bobagens e patacoadas que vêm junto, deveria contemplar o seguinte ensinamento: como percorrer uma confortável, próspera e respeitável vida adulta sem já estar morto, inconsciente, escravizado pela nossa configuração padrão – a de sermos singularmente, completamente, imperialmente sós.

Isso também parece outra hipérbole, mais uma abstração oca. Sejamos concretos então. O fato cru é que vocês, graduandos, ainda não têm a mais vaga idéia do significado real do que seja viver um dia após o outro. Existem grandes nacos da vida adulta sobre os quais ninguém fala em discursos de formatura. Um desses nacos envolve tédio, rotina e frustração mesquinha.

Vou dar um exemplo prosaico imaginando um dia qualquer do futuro. Você acordou de manhã, foi para seu prestigiado emprego, suou a camisa por nove ou dez horas e, ao final do dia, está cansado, estressado, e tudo que deseja é chegar em casa, comer um bom prato de comida, talvez relaxar por umas horas, e depois ir para cama, porque terá de acordar cedo e fazer tudo de novo. Mas aí lembra que não tem comida na geladeira. Você não teve tempo de fazer compras naquela semana, e agora precisa entrar no carro e ir ao supermercado. Nesse final de dia, o trânsito está uma lástima.

Quando você finalmente chega lá, o supermercado está lotado, horrivelmente iluminado com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar. É o último lugar do mundo onde você gostaria de estar, mas não dá para entrar e sair rapidinho: é preciso percorrer todos aqueles corredores superiluminados para encontrar o que procura, e manobrar seu carrinho de compras de rodinhas emperradas entre todas aquelas outras pessoas cansadas e apressadas com seus próprios carrinhos de compras. E, claro, há também aqueles idosos que não saem da frente, e as pessoas desnorteadas, e os adolescentes hiperativos que bloqueiam o corredor, e você tem que ranger os dentes, tentar ser educado, e pedir licença para que o deixem passar. Por fim, com todos os suprimentos no carrinho, percebe que, como não há caixas suficientes funcionando, a fila é imensa, o que é absurdo e irritante, mas você não pode descarregar toda a fúria na pobre da caixa que está à beira de um ataque de nervos.

De qualquer modo, você acaba chegando à caixa, paga por sua comida e espera até que o cheque ou o cartão seja autenticado pela máquina, e depois ouve um “boa noite, volte sempre” numa voz que tem o som absoluto da morte. Na volta para casa, o trânsito está lento, pesado etc. e tal.

É num momento corriqueiro e desprezível como esse que emerge a questão fundamental da escolha. O engarrafamento, os corredores lotados e as longas filas no supermercado me dão tempo de pensar. Se eu não tomar uma decisão consciente sobre como pensar a situação, ficarei irritado cada vez que for comprar comida, porque minha configuração padrão me leva a pensar que situações assim dizem respeito a mim, a minha fome, minha fadiga, meu desejo de chegar logo em casa. Parecerá sempre que as outras pessoas não passam de estorvos. E quem são elas, aliás? Quão repulsiva é a maioria, quão bovinas, e inexpressivas e desumanas parecem ser as da fila da caixa, quão enervantes e rudes as que falam alto nos celulares.

Também posso passar o tempo no congestionamento zangado e indignado com todas essas vans, e utilitários e caminhões enormes e estúpidos, bloqueando as pistas, queimando seus imensos tanques de gasolina, egoístas e perdulários. Posso me aborrecer com os adesivos patrióticos ou religiosos, que sempre parecem estar nos automóveis mais potentes, dirigidos pelos motoristas mais feios, desatenciosos e agressivos, que costumam falar no celular enquanto fecham os outros, só para avançar uns 20 metros idiotas no engarrafamento. Ou posso me deter sobre como os filhos dos nossos filhos nos desprezarão por desperdiçarmos todo o combustível do futuro, e provavelmente estragarmos o clima, e quão mal-acostumados e estúpidos e repugnantes todos nós somos, e como tudo isso é simplesmente pavoroso etc. e tal.

Se opto conscientemente por seguir essa linha de pensamento, ótimo, muitos de nós somos assim – só que pensar dessa maneira tende a ser tão automático que sequer precisa ser uma opção. Ela deriva da minha configuração padrão.

Mas existem outras formas de pensar. Posso, por exemplo, me forçar a aceitar a possibilidade de que os outros na fila do supermercado estão tão entediados e frustrados quanto eu, e, no cômputo geral, algumas dessas pessoas provavelmente têm vidas bem mais difíceis, tediosas ou dolorosas do que eu.

Fazer isso é difícil, requer força de vontade e empenho mental. Se vocês forem como eu, alguns dias não conseguirão fazê-lo, ou simplesmente não estarão a fim. Mas, na maioria dos dias, se estiverem atentos o bastante para escolher, poderão preferir olhar melhor para essa mulher gorducha, inexpressiva e estressada que acabou de berrar com a filhinha na fila da caixa. Talvez ela não seja habitualmente assim. Talvez ela tenha passado as três últimas noites em claro, segurando a mão do marido que está morrendo. Ou talvez essa mulher seja a funcionária mal remunerada do Departamento de Trânsito que, ontem mesmo, por meio de um pequeno gesto de bondade burocrática, ajudou algum conhecido seu a resolver um problema insolúvel de documentação.

Claro que nada disso é provável, mas tampouco é impossível. Tudo depende do que vocês queiram levar em conta. Se estiverem automaticamente convictos de conhecerem toda a realidade, vocês, assim como eu, não levarão em conta possibilidades que não sejam inúteis e irritantes. Mas, se vocês aprenderam como pensar, saberão que têm outras opções. Está ao alcance de vocês vivenciarem uma situação “inferno do consumidor” não apenas como significativa, mas como iluminada pela mesma força que acendeu as estrelas.

Relevem o tom aparentemente místico. A única coisa verdadeira, com V maiúsculo, é que vocês precisam decidir conscientemente o que, na vida, tem significado e o que não tem.

Na trincheira do dia-a-dia, não há lugar para o ateísmo. Não existe algo como “não venerar”. Todo mundo venera. A única opção que temos é decidir o que venerar. E o motivo para escolhermos algum tipo de Deus ou ente espiritual para venerar – seja Jesus Cristo, Alá ou Jeová, ou algum conjunto inviolável de princípios éticos – é que todo outro objeto de veneração te engolirá vivo. Quem venerar o dinheiro e extrair dos bens materiais o sentido de sua vida nunca achará que tem o suficiente. Aquele que venerar seu próprio corpo e beleza, e o fato de ser sexy, sempre se sentirá feio – e quando o tempo e a idade começarem a se manifestar, morrerá um milhão de mortes antes de ser efetivamente enterrado.

No fundo, sabemos de tudo isso, que está no coração de mitos, provérbios, clichês, epigramas e parábolas. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante.

O insidioso dessas formas de veneração não está em serem pecaminosas – e sim em serem inconscientes. São o tipo de veneração em direção à qual você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha.

O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.

Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros – no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.

Pensem de tudo isso o que quiserem. Mas não descartem o que ouviram como um sermão cheio de certezas. Nada disso envolve moralidade, religião ou dogma. Nem questões grandiosas sobre a vida depois da morte. A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50, sem querer dar um tiro na própria cabeça. Diz respeito à consciência – consciência de que o real e o essencial estão escondidos na obviedade ao nosso redor – daquilo que devemos lembrar, repetindo sempre: “Isto é água, isto é água.”

É extremamente difícil lembrar disso, e permanecer consciente e vivo, um dia depois do outr




Retirado da Edição 25 da Revista Piauí


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

SER ALGUMA COISA


Quem me dera se eu fosse um poeta que com as palavras eu pudesse encantar
Ah se eu fosse um menino pra poder brincar sem me preocupar com o destino
Queria ser eu uma grande mosca pra poder posar na sua sopa
Se um dia, pelo menos um dia, eu fosse o presidente, deixaria tudo nesse país diferente
Pudesse eu ser alguma coisa
Num lugar onde todos buscam ser alguma coisa
Buscando que coisas foram
Querendo saber que coisas são
E tentando descobrir que coisas serão
E acabam sendo coisa alguma.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

As três lágrimas


Se eu pudesse esquecê
Aquela noite de São João
Era bem bão; mas quá, não vê?
Era a moça mais bonita
Com seu vestido de chita
Todo enfeitado de fita
Dessa noite no sertão

No vorteá do sapateado
Foi que nóis se conhecemo,
Nossos óios se encontraram
Nossos óios se gostaram
E nóis também se gostemo

No gemê da viola
Essa dô que nos consola
Eu lhe fiz a declaração
E como quem pede esmola
Os meus óios mendigavam
Um oiá dos óios seus

Quando a esmola chegou
Chi, meu Deus,
eu não sei o que senti,
Não sei mêmo, prá que menti
Eu não sei o que era aquilo
Senti um nó nos gorgomilo,
Uma vontade de chorá,
Eu inda quis segurá,
Mas quá, tudo cansa,
Os meus óios se orvaiou
E uma lágrima rolou
Purque eu tinha esperança

Um ano mais se passou
Quando foi no outro São João
Era a noiva mais bunita
Com seu vestido de chita
Todo enfeitado de fita
Que pisou na povoação.

Quando saímo da igreja
Todo mundo tinha inveja
Da nossa felicidade.
Eu tava tão satisfeito, tão satisfeito
Parecia que o meu peito
Queria arrebentá.

Eu até nem sei expricá.
Eu não sei como foi aquilo,
Senti um nó nos gorgomilo,
Uma vontade de chorá.
Mais quá, quem diz,
Os meus óios se orvaiou
E uma lágrima rolou
Prá mode eu sê tão feliz

Quando foi no outro São João,
Quatro vela ainda acesa
Lá na mesa,
Alumiava o seu caixão.

Ainda tava mais bunita
Com seu vestido de chita,
Todo enfeitado de fita
E um ramo de frô na mão
Meus óios tavam seco
Que nem roça de coivara
Na hora dela parti;

Eu não queria que ela fosse assim
Sem se despedi de mim.
Garrei na cabeça dela
E como um louco beijei
Beijei a sua face amarela.
Quando larguei, meu Deus
As minhas lágrimas
Inundou os óio dela

Quando ela partiu,
Eu já não sabia chorá,
O resto das minha lágrima
Eu dei prá ela levá
E agora, ás veis, de tardinha
Eu garro de cismá, de cismá,
De repente, sem querê,Não sei pruquê,
Me dá uma vontade de chorá,
Mas quá, quem há de,
Os meus óios secõ
Na dô desta sôdade

(Autor desconhecido)

sábado, 1 de novembro de 2008

Do jeito que for

Não quero muito
Desde que seja alegre
Inteligente
Amigável
Cult

Não peço muito,
Mas que ache graça das coisas que acho graça
Que eu possa ver a pureza e doçura no seu olhar
Que haja respeito e sinceridade em suas palavras
Que me passe responsabilidade e segurança em suas atitudes

Não precisa ser igual a mim
Mas que goste de cinema, teatro e de ler livros
Que gostemos de ouvir as mesmas músicas.
Que também admire, respeite e goste da natureza,
De caminhar e de acampar
E nada mais

Não quero ser muito exigente
Mas queria que pelo menos soubesse discutir os assuntos do dia
Que nos assuntos de política,
futebol e religião
que tivéssemos a mesma opinião

Acho que não é pedir demais
Se for independente
Morasse sozinho
Tivesse um bom emprego
E que
sempre tenha disposição

Na parte física não espero muito
Somente olhos claros
Corpo em forma
Que se cuide e
Que tenha vaidade (controlada)

Do jeito que for
Creio que não vai demorar muito
Acredito sim.
Vai bater na minha porta, casaremos e
Tenha certeza, seremos felizes para sempre.

domingo, 28 de setembro de 2008

HOMEM-MECÂNICO


Sente-se às vezes inocente
Acreditando na pureza das pessoas,
Como ele uma pessoa tão esperta
Ainda pode se comportar assim?

Um dia, não se sabe quando ao certo
Sem distinguir o que é verdade ou não
Ele começará a não acreditar mais nas coisas
Não sei bem porque, mas isso o deixará mecânico

Achará as vezes que é melhor ficar
Do que ir
Parará um pouco de querer fazer as coisas no impulso
E pensará um pouco mais
E no final acabará fazendo nada

Ficará parado,
Sem reação
Não lutará, não amará
Fará as coisas sem emoção

Vale a pena?
É o que quer?
Não se sabe bem,
Mas acha melhor começar a agir pela razão

domingo, 29 de junho de 2008

O que irá, virá

Sentir-se leve,
tranqüilo,
com a sensação de dever cumprido
ficar com a mente sem culpas
sem pesos e arrependimentos
não passar um dia inteiro
lembrando das coisas não feitas
das coisas não ditas

Como é bom,
saber que há voltas
que o mundo gira
e as pessoas sentem falta
de coisas passadas
de águas corridas

Sentir novamente
não em sonhos
mas em vida
ter tudo aquilo que sentíamos
(ou sentimos)
ter e sabendo que na verdade
não tenho

De não me importar
com as pessoas que vem da janela
de qualquer jeito
ou qualquer maneira
mais saber que não fiz mais
por respeito ao próximo
ao outro que nem me respeita

Que com as mãos tremulas ao dizer o não
de ficar feliz em dizer
de ficar surpreso
e decepcionar o outro
por conseguir
por saber
e não entender

Feliz de ser careta,
de ser forte
e ser feliz
sem ou com
fazendo ou não fazendo
decepcionando
rindo
beijando
e sabendo,
que a vida
realmente da voltas

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

"Precisa-se de Matéria Prima para construir um País"


A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós.
Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.
Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos ... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito.
Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.
Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem,encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns. Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta. Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa.
Esses defeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço.
Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa"outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente sacaneados!!! É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias. Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro...... Somos nós os que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ -LO EM OUTRO LADO. E você, o que pensa?.... MEDITE!!!!!"



JOÃO UBALDO RIBEIRO
http://www.noticiasdahora.com/entrevista.asp?e=5759&t=1

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O tempo voa, e a gente só percebe depois, a sensação às vezes é como se caíssemos de um penhasco, sentir-se perdido,e quando chegamos ao fim dele, vemos que algumas coisas que antes não tinham importância hoje elas são essenciais.

Quando poderia um dia imaginar que tivessemos que nos virar sozinho, morar sozinho, ter a responsabilidade de ajeitar e ganhar a vida.

Acordar hoje, com mais um ano de vida, duas décadas se passaram, lágrimas, sorrisos e responsabilidades, quero principalmente uma coisa importante, levar essa minha vida tendo muita saúde e aproveitando ao máximo, e que outras décadas venham...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O ultrapassado



Será que eu to muito antiquado,

o mundo endoideceu,

ou serão às pessoas que adotaram outros costumes?



quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

De se perder de vista

Fila para comprar querosene em posto de combustível em Nairóbi, no Quênia

De se perder de vista, vejo a fila
o povo briga, grita, em várias línguas.
Essa mistura de pessoas contrastam os seus mais variados estilos de vida
lugares que não se tem dignidade,
cidades que não existem lei.


Olhando essa fila, posso interpretá-la de várias formas a cada situação
Se for eleição, ou é fila de venda de voto ou é votação,
a troca do direito por um quilo não importa quilo de que,
importa é vender o que não se paga, o que não se volta,
é trocar a luta da democracia por um momento único de não passar fome.


Aquela fila não pára de crescer,
vejo crianças chorando, velhos e adolescentes debaixo do sol,
Se for numa cidade perto de uma usina nuclear,
quem sabe não é a fila de evacuação,
o povo brigando por um espaço,
os meios de transportes pulando na estrada emburacada
os carros caindo em ribanceiras,
meu Deus a estrada não é boa,
e o povo tem pressa de fugir
e de ficar bem longe daquela bomba.


Posso ver muitos galões,
naquela fila sem fim que dobra o quarteirão,
Se for lá perto do sertão,
pode ser fila do caminhão pipa ou de comida,
Mas a fila parece não ser daqui,
vem lá do outro lado do oceano,
onde a miséria cobre quase o país inteiro
as pessoas enfileiram-se na verdade por litros de querosene.


Pensava que eles estariam colhendo o que plantaram,
da fruta que não se come e mata,
da terra sofrida nas mãos calejadas e do sol arrebatador,
o calor e o frio descontrolados,
do derretimento da terra das geleiras
da destruição das matas, da poluição dos rios,
da exploração abundante e sem fim
mas se eles que estão na fila nem tem a chance de possuir a semente,
colhem então a colheita da burguesia e do capitalismo
colhem o futuro,
hoje pode ser querosene, mais amanhã (ou hoje) pode ser fila de água, comida.
cuidemos, conscientizemos e preservemos
pois a fila aumenta e cada vez mais se perde de vista,
e a gente vê a fila


pela profecia o mundo ia se acabar
pelo vagabundo deixa o mundo como esta
pelo ser humano pelo cano o mundo vai
pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Que seje eterno enquanto dure

Todo ano era sempre igual, lembro-me como se fosse uma daquelas fotografias antigas onde toda família se reunia pra foto. O bom da família morar toda perto é esse, a sua união.

Carnaval, páscoa, dias das mães, dos pais, natal e reveillon, aquela família unida, se junta, comida farta à vera, uma felicidade só, que bom! Ainda somos criança.

Tradição, cumprida a regra, onde nem tudo é pra sempre, o tempo passa (corre), as crianças de ontém, que se juntavam na casa da vó, que brincavam de roda; hoje namoram, casam e fazem outras crianças, os pais agora não têm mais o porque de se unirem para as tais festas, a felicidade enfim vira dor-de-cabeça, tristeza e pra mim — saudade — aquela saudade de ver todos juntos, felizes, de ouvir sermão, de aprender o que é certo e o errado, ser inocente, de não ter preocupação com isso ou aquilo.

Pela primeira vez, passo meu reveillon fora de casa, sem ouvir saudações de feliz ano novo dos pais, e ser abraçado por toda família. Dessa vez escolhi ir onde não funciona celular, onde não tem eletricidade e durmo ouvindo o barulho do mar, ando descalço o dia inteiro, tomo banho de cachoeira, não tenho noção nenhuma de tempo, e na minha primeira noite tenho o prazer de olhar o céu mais estrelado que vi na minha vida, o mais lindo, e que fotografei na minha mente pra nunca esquecer.

Único, é com esta palavra que resumo minha virada de ano, rodeado de amigos, numa praia com uma fogueira enorme, de frente ao mar e com essa belezura de céu que começo uma nova fase de minha vida.

Aquela fotografia da família pode estar empoeirada com o tempo, mas hoje percebo que serve de inspiração pra minha futura geração, e espero que seja assim por outras e outras.


Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
cantar
e cantar
e cantar
a beleza de ser um eterno aprendiz
eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será
mais isso não impede que eu repita
é bonita
é bonita
e é bonita

Da vontade à criação

Quantas vezes quis postar e não tinha fotos, quantos rabisco, rascunhos e textos iniciados e que ficaram por isso mesmo, não é por este intuito quero criar este blog, até mesmo porque nunca sei quem pode lê-los um dia. Por isso não farei de meu diário, nem transformarei em capítulos de uma novela, pode ser que leiam por aqui desabafos, desavenças, comentários, coisas desconexas e inimagmáticas, mais posso provar que foram sinceras, e verdadeiras.

Não garanto que estarei a disposição todos os dias, minha inspiração infelizmente não me vem com essa força toda, são palavras que vem de forma inesperada, e improvável, e em qualquer lugar e momento elas aparecem, e que haja papel e caneta para não perdê-las, é loucura mais achei interessante o que uma professora da faculdade um dia disse em aula — que em cada cômodo da sua casa havia um bloco de anotação e uma caneta, disse ela não com essas palavras, mas mais ou menos assim: “que coisa nenhuma que vem, vem à toa, se é coisa boa ou ruim, por que não registrar? Pode ser que não seja preciso pra neste momento, mais um dia você vai saber como usá-la”.

Lá vem o blog, meu futuro bloco de anotação.