sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Organizando


Pegou um bloco de anotações e uma caneta

sentou-se na beira da cama

e começou a escrever

primeiramente colocou todas coisas

que queria fazer,

teria que fazer

e coisas que poderia deixar de fazer.


Depois de escrever tudo

tentou ordenar,

mas como ordenar?

Por prioridade?

Necessidade?

Por vontade?


Não sabia como organizar

e isso o fez perceber que mesmo com uma lista

a sua vida continuaria assim,

sem uma ordem

sem uma direção

Onde começar?

Como?

Quando?


E outras perguntas apareceram

E se acontecer isso?

E se eu deixar de fazer aquilo?
E se.. se.. se..

Por um momento pensou desistir

rasgar aquela lista,

e tentar a sorte,

deixar que a vida o leve para um rumo

um caminho, que ele esperaria

e/ou aceitaria.


Mas logo desistiu, porque era o que ele já fazia

Olhou a lista novamente,

riscou alguns itens,

ligou uns ao outro,

dobrou e decidiu guardar


Espera que um tempo depois,

sem definir o quanto isso iria acontecer,

ele pegaria aquela lista e olharia:

o que já fez,

deixou de fazer,

o que não deveria ter feito
e enquanto isso continuaria,

a fazer o que já fazia.


sábado, 20 de março de 2010

Tempos depois

Muitas coisas ainda acontecem e ao mesmo tempo outras que deveriam acontecer, não acontecem.

Mesmo assim, algumas das soluções provisórias foram largadas e outras substituídas, na verdade acho que as coisas ainda continuam na mesma, mas com situações e pessoas diferentes.

novos rostos aparecem, novas festas, novos lugares..

sentir perdido nisso tudo é normal, porque nada é previsível, a vida é assim.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Soluções temporárias

São tantos fatos, mudanças que me deixaram assim, criando soluções provisórias, acho que acabei criando uma vida temporária totalmente diferente do que havia planejado, sinto como se fosse algo que foge do meu controle, problemas que apareceram que aos poucos vou tentando solucionar e enquanto isso, vou criando essas tais soluções temporárias, até quando isso vai durar?

sábado, 16 de maio de 2009

O outro


Hoje percebe que a vida segue o ritmo do relógio, do tempo, de reparar no movimento das coisas, de como as situações viram rotina, da contínua descoberta de conseguir levar sua pacata vida de cidadão, quantas coisas o fazem refletir, o faz cobrar justiça. Coitado do homem que paga suas contas em dia, contribui com seus impostos, que espera uma cidade mais próspera e uma vida mais justa.
Ama, chora, vive a vida como qualquer um, casa e reproduz,

se comove, comorre, socorre, morre.

"E lá está o corpo estirado no chão..."

Deve ser outro...Mais um. Mais dois...

domingo, 29 de março de 2009

Pós partida


A menina do vestido florido, sentou-se na beira do cais e começou a escrever sobre a ultima vez que o viu, lembra como se aquela cena repetisse várias vezes, como passou rápido – dizia sem parar – não sabe a causa ao certo da partida e nem sabe se é pra ser uma despedida pra levar a sério.

Pra dizer a verdade, ela sozinha, planejava fugir com ele, estava quase tudo armado, mala pronta, dinheiro guardado, o que faltava era contá-lo do plano, mas sabe que não é o certo, que era pra ser, que ele partisse sozinho.

Que então ela pudesse pelo menos guardar seu cheiro, fotografar seu sorriso e moldurá-lo num quadro bem bonito pra pendurar na porta do seu armário, guardará os bilhetes de cinema, os recados, as cartas...

Só agora ela percebe das coisas que não foram ditas, dos beijos e abraços que não foram dados, das conversas não feitas, quantas coisas só lembrou agora de dizê-lo, volte, gostaria de chamá-lo pra sentar um pouco, pra que não tenha tanta pressa.

Mas o tempo passa, as coisas mudam, outros rostos, outras conversas, outros bilhetes de cinema, outros planos, outros cheiros, outras cores, outras partidas, outros encontros e quem pensaria, ousaria, imaginaria que hoje em dia ela poderia ter medo dos reencontros.