
A menina do vestido florido, sentou-se na beira do cais e começou a escrever sobre a ultima vez que o viu, lembra como se aquela cena repetisse várias vezes, como passou rápido – dizia sem parar – não sabe a causa ao certo da partida e nem sabe se é pra ser uma despedida pra levar a sério.
Pra dizer a verdade, ela sozinha, planejava fugir com ele, estava quase tudo armado, mala pronta, dinheiro guardado, o que faltava era contá-lo do plano, mas sabe que não é o certo, que era pra ser, que ele partisse sozinho.
Que então ela pudesse pelo menos guardar seu cheiro, fotografar seu sorriso e moldurá-lo num quadro bem bonito pra pendurar na porta do seu armário, guardará os bilhetes de cinema, os recados, as cartas...
Só agora ela percebe das coisas que não foram ditas, dos beijos e abraços que não foram dados, das conversas não feitas, quantas coisas só lembrou agora de dizê-lo, volte, gostaria de chamá-lo pra sentar um pouco, pra que não tenha tanta pressa.
Mas o tempo passa, as coisas mudam, outros rostos, outras conversas, outros bilhetes de cinema, outros planos, outros cheiros, outras cores, outras partidas, outros encontros e quem pensaria, ousaria, imaginaria que hoje em dia ela poderia ter medo dos reencontros.

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