Será que eu to muito antiquado,
o mundo endoideceu,
ou serão às pessoas que adotaram outros costumes?
Do que antes escrevia-se nas paredes, depois num cardeninho velho e hoje escreve-se num blog. Numa rede gigantesca que move-se sozinha.
Será que eu to muito antiquado,
o mundo endoideceu,
ou serão às pessoas que adotaram outros costumes?
Fila para comprar querosene em posto de combustível em Nairóbi, no Quênia
Olhando essa fila, posso interpretá-la de várias formas a cada situação
Se for eleição, ou é fila de venda de voto ou é votação,
a troca do direito por um quilo não importa quilo de que,
importa é vender o que não se paga, o que não se volta,
é trocar a luta da democracia por um momento único de não passar fome.
Aquela fila não pára de crescer,
vejo crianças chorando, velhos e adolescentes debaixo do sol,
Se for numa cidade perto de uma usina nuclear,
quem sabe não é a fila de evacuação,
o povo brigando por um espaço,
os meios de transportes pulando na estrada emburacada
os carros caindo em ribanceiras,
meu Deus a estrada não é boa,
e o povo tem pressa de fugir
e de ficar bem longe daquela bomba.
Posso ver muitos galões,
naquela fila sem fim que dobra o quarteirão,
Se for lá perto do sertão,
pode ser fila do caminhão pipa ou de comida,
Mas a fila parece não ser daqui,
vem lá do outro lado do oceano,
onde a miséria cobre quase o país inteiro
as pessoas enfileiram-se na verdade por litros de querosene.
Pensava que eles estariam colhendo o que plantaram,
da fruta que não se come e mata,
da terra sofrida nas mãos calejadas e do sol arrebatador,
o calor e o frio descontrolados,
do derretimento da terra das geleiras
da destruição das matas, da poluição dos rios,
da exploração abundante e sem fim
mas se eles que estão na fila nem tem a chance de possuir a semente,
colhem então a colheita da burguesia e do capitalismo
colhem o futuro,
hoje pode ser querosene, mais amanhã (ou hoje) pode ser fila de água, comida.
cuidemos, conscientizemos e preservemos
pois a fila aumenta e cada vez mais se perde de vista,
e a gente vê a fila
pelo vagabundo deixa o mundo como esta
pelo ser humano pelo cano o mundo vai
pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar
Todo ano era sempre igual, lembro-me como se fosse uma daquelas fotografias antigas onde toda família se reunia pra foto. O bom da família morar toda perto é esse, a sua união.
Carnaval, páscoa, dias das mães, dos pais, natal e reveillon, aquela família unida, se junta, comida farta à vera, uma felicidade só, que bom! Ainda somos criança.
Tradição, cumprida a regra, onde nem tudo é pra sempre, o tempo passa (corre), as crianças de ontém, que se juntavam na casa da vó, que brincavam de roda; hoje namoram, casam e fazem outras crianças, os pais agora não têm mais o porque de se unirem para as tais festas, a felicidade enfim vira dor-de-cabeça, tristeza e pra mim — saudade — aquela saudade de ver todos juntos, felizes, de ouvir sermão, de aprender o que é certo e o errado, ser inocente, de não ter preocupação com isso ou aquilo.
Pela primeira vez, passo meu reveillon fora de casa, sem ouvir saudações de feliz ano novo dos pais, e ser abraçado por toda família. Dessa vez escolhi ir onde não funciona celular, onde não tem eletricidade e durmo ouvindo o barulho do mar, ando descalço o dia inteiro, tomo banho de cachoeira, não tenho noção nenhuma de tempo, e na minha primeira noite tenho o prazer de olhar o céu mais estrelado que vi na minha vida, o mais lindo, e que fotografei na minha mente pra nunca esquecer.
Único, é com esta palavra que resumo minha virada de ano, rodeado de amigos, numa praia com uma fogueira enorme, de frente ao mar e com essa belezura de céu que começo uma nova fase de minha vida.
Aquela fotografia da família pode estar empoeirada com o tempo, mas hoje percebo que serve de inspiração pra minha futura geração, e espero que seja assim por outras e outras.
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
cantar
e cantar
e cantar
a beleza de ser um eterno aprendiz
eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será
mais isso não impede que eu repita
é bonita
é bonita
e é bonita
Quantas vezes quis postar e não tinha fotos, quantos rabisco, rascunhos e textos iniciados e que ficaram por isso mesmo, não é por este intuito quero criar este blog, até mesmo porque nunca sei quem pode lê-los um dia. Por isso não farei de meu diário, nem transformarei em capítulos de uma novela, pode ser que leiam por aqui desabafos, desavenças, comentários, coisas desconexas e inimagmáticas, mais posso provar que foram sinceras, e verdadeiras.
Não garanto que estarei a disposição todos os dias, minha inspiração infelizmente não me vem com essa força toda, são palavras que vem de forma inesperada, e improvável, e em qualquer lugar e momento elas aparecem, e que haja papel e caneta para não perdê-las, é loucura mais achei interessante o que uma professora da faculdade um dia disse em aula — que em cada cômodo da sua casa havia um bloco de anotação e uma caneta, disse ela não com essas palavras, mas mais ou menos assim: “que coisa nenhuma que vem, vem à toa, se é coisa boa ou ruim, por que não registrar? Pode ser que não seja preciso pra neste momento, mais um dia você vai saber como usá-la”.
Lá vem o blog, meu futuro bloco de anotação.