terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O ultrapassado



Será que eu to muito antiquado,

o mundo endoideceu,

ou serão às pessoas que adotaram outros costumes?



quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

De se perder de vista

Fila para comprar querosene em posto de combustível em Nairóbi, no Quênia

De se perder de vista, vejo a fila
o povo briga, grita, em várias línguas.
Essa mistura de pessoas contrastam os seus mais variados estilos de vida
lugares que não se tem dignidade,
cidades que não existem lei.


Olhando essa fila, posso interpretá-la de várias formas a cada situação
Se for eleição, ou é fila de venda de voto ou é votação,
a troca do direito por um quilo não importa quilo de que,
importa é vender o que não se paga, o que não se volta,
é trocar a luta da democracia por um momento único de não passar fome.


Aquela fila não pára de crescer,
vejo crianças chorando, velhos e adolescentes debaixo do sol,
Se for numa cidade perto de uma usina nuclear,
quem sabe não é a fila de evacuação,
o povo brigando por um espaço,
os meios de transportes pulando na estrada emburacada
os carros caindo em ribanceiras,
meu Deus a estrada não é boa,
e o povo tem pressa de fugir
e de ficar bem longe daquela bomba.


Posso ver muitos galões,
naquela fila sem fim que dobra o quarteirão,
Se for lá perto do sertão,
pode ser fila do caminhão pipa ou de comida,
Mas a fila parece não ser daqui,
vem lá do outro lado do oceano,
onde a miséria cobre quase o país inteiro
as pessoas enfileiram-se na verdade por litros de querosene.


Pensava que eles estariam colhendo o que plantaram,
da fruta que não se come e mata,
da terra sofrida nas mãos calejadas e do sol arrebatador,
o calor e o frio descontrolados,
do derretimento da terra das geleiras
da destruição das matas, da poluição dos rios,
da exploração abundante e sem fim
mas se eles que estão na fila nem tem a chance de possuir a semente,
colhem então a colheita da burguesia e do capitalismo
colhem o futuro,
hoje pode ser querosene, mais amanhã (ou hoje) pode ser fila de água, comida.
cuidemos, conscientizemos e preservemos
pois a fila aumenta e cada vez mais se perde de vista,
e a gente vê a fila


pela profecia o mundo ia se acabar
pelo vagabundo deixa o mundo como esta
pelo ser humano pelo cano o mundo vai
pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Que seje eterno enquanto dure

Todo ano era sempre igual, lembro-me como se fosse uma daquelas fotografias antigas onde toda família se reunia pra foto. O bom da família morar toda perto é esse, a sua união.

Carnaval, páscoa, dias das mães, dos pais, natal e reveillon, aquela família unida, se junta, comida farta à vera, uma felicidade só, que bom! Ainda somos criança.

Tradição, cumprida a regra, onde nem tudo é pra sempre, o tempo passa (corre), as crianças de ontém, que se juntavam na casa da vó, que brincavam de roda; hoje namoram, casam e fazem outras crianças, os pais agora não têm mais o porque de se unirem para as tais festas, a felicidade enfim vira dor-de-cabeça, tristeza e pra mim — saudade — aquela saudade de ver todos juntos, felizes, de ouvir sermão, de aprender o que é certo e o errado, ser inocente, de não ter preocupação com isso ou aquilo.

Pela primeira vez, passo meu reveillon fora de casa, sem ouvir saudações de feliz ano novo dos pais, e ser abraçado por toda família. Dessa vez escolhi ir onde não funciona celular, onde não tem eletricidade e durmo ouvindo o barulho do mar, ando descalço o dia inteiro, tomo banho de cachoeira, não tenho noção nenhuma de tempo, e na minha primeira noite tenho o prazer de olhar o céu mais estrelado que vi na minha vida, o mais lindo, e que fotografei na minha mente pra nunca esquecer.

Único, é com esta palavra que resumo minha virada de ano, rodeado de amigos, numa praia com uma fogueira enorme, de frente ao mar e com essa belezura de céu que começo uma nova fase de minha vida.

Aquela fotografia da família pode estar empoeirada com o tempo, mas hoje percebo que serve de inspiração pra minha futura geração, e espero que seja assim por outras e outras.


Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
cantar
e cantar
e cantar
a beleza de ser um eterno aprendiz
eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será
mais isso não impede que eu repita
é bonita
é bonita
e é bonita

Da vontade à criação

Quantas vezes quis postar e não tinha fotos, quantos rabisco, rascunhos e textos iniciados e que ficaram por isso mesmo, não é por este intuito quero criar este blog, até mesmo porque nunca sei quem pode lê-los um dia. Por isso não farei de meu diário, nem transformarei em capítulos de uma novela, pode ser que leiam por aqui desabafos, desavenças, comentários, coisas desconexas e inimagmáticas, mais posso provar que foram sinceras, e verdadeiras.

Não garanto que estarei a disposição todos os dias, minha inspiração infelizmente não me vem com essa força toda, são palavras que vem de forma inesperada, e improvável, e em qualquer lugar e momento elas aparecem, e que haja papel e caneta para não perdê-las, é loucura mais achei interessante o que uma professora da faculdade um dia disse em aula — que em cada cômodo da sua casa havia um bloco de anotação e uma caneta, disse ela não com essas palavras, mas mais ou menos assim: “que coisa nenhuma que vem, vem à toa, se é coisa boa ou ruim, por que não registrar? Pode ser que não seja preciso pra neste momento, mais um dia você vai saber como usá-la”.

Lá vem o blog, meu futuro bloco de anotação.