São tantos fatos, mudanças que me deixaram assim, criando soluções provisórias, acho que acabei criando uma vida temporária totalmente diferente do que havia planejado, sinto como se fosse algo que foge do meu controle, problemas que apareceram que aos poucos vou tentando solucionar e enquanto isso, vou criando essas tais soluções temporárias, até quando isso vai durar?
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
O outro

Hoje percebe que a vida segue o ritmo do relógio, do tempo, de reparar no movimento das coisas, de como as situações viram rotina, da contínua descoberta de conseguir levar sua pacata vida de cidadão, quantas coisas o fazem refletir, o faz cobrar justiça. Coitado do homem que paga suas contas em dia, contribui com seus impostos, que espera uma cidade mais próspera e uma vida mais justa.
Ama, chora, vive a vida como qualquer um, casa e reproduz,
se comove, comorre, socorre, morre.
"E lá está o corpo estirado no chão..."
Deve ser outro...Mais um. Mais dois...
domingo, 29 de março de 2009
Pós partida

A menina do vestido florido, sentou-se na beira do cais e começou a escrever sobre a ultima vez que o viu, lembra como se aquela cena repetisse várias vezes, como passou rápido – dizia sem parar – não sabe a causa ao certo da partida e nem sabe se é pra ser uma despedida pra levar a sério.
Pra dizer a verdade, ela sozinha, planejava fugir com ele, estava quase tudo armado, mala pronta, dinheiro guardado, o que faltava era contá-lo do plano, mas sabe que não é o certo, que era pra ser, que ele partisse sozinho.
Que então ela pudesse pelo menos guardar seu cheiro, fotografar seu sorriso e moldurá-lo num quadro bem bonito pra pendurar na porta do seu armário, guardará os bilhetes de cinema, os recados, as cartas...
Só agora ela percebe das coisas que não foram ditas, dos beijos e abraços que não foram dados, das conversas não feitas, quantas coisas só lembrou agora de dizê-lo, volte, gostaria de chamá-lo pra sentar um pouco, pra que não tenha tanta pressa.
Mas o tempo passa, as coisas mudam, outros rostos, outras conversas, outros bilhetes de cinema, outros planos, outros cheiros, outras cores, outras partidas, outros encontros e quem pensaria, ousaria, imaginaria que hoje em dia ela poderia ter medo dos reencontros.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
A olhar sua prateleira
Hoje tive o prazer de olhar com atenção sua prateleira, como anda bagunçada, cheio de textos e livros marcados com um papel amarelado que parece a anos não ser tocado. Fico percebendo pasmado como foi (ou não) organizado milimetricamente sua bagunça, há de tudo um pouco, há cores, há letras de várias formas, nacionalidades e jeitos.
Seja em alguma foto, em alguma lembrança faz-me, em parte, sentir também incluído na sua prateleira, no seu guarda-coisas. Percebo que gosta somente de olhar nas coisas que largou recentemente para admirá-la e mostrar a todos com orgulho. Do que no inicio sempre denomina como “o meu novo objeto”, algum tempo depois o generaliza como “aquilo”.
Não que seja por maldade, vejo que não se sente por satisfeito, o faz por querer o ver cheio de coisas, para um dia fazer o que faço hoje.
Quem sabe um dia ele aprende a admirar os seus objetos antigos.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
A Moça

Conheceu-a em um lugar
onde pessoas não procuram,
caçam-se uns aos outros,
como num açougue,
escolhendo a mais bonita,
apalpando, pra vê se dá uma boa comida.
Com o coração em sua mão
entregou-o integralmente,
coitados são eles,
modestos os homens,
idiotas os que caiem na cilada da moça.
Encanta sem saber,
não sabe se fingi
ou se realmente é.
Fica sem saber,
se acredita ou não na moça.
Cabelos de anjo,
um rosto de louça,
às vezes achou que só gostava de seus cabelos,
mas também pensou que poderia ser por seus gostos.
De ser assim,
simples e inteligente.
Daqui a duas semanas,
sem mais nem menos,
falara coisas contorcidas,
elogiará pra não magoar,
dirá com poucas palavras,
que não dá mais.
E lá se vai o moço.
A moça volta pro mesmo lugar,
outro moço a conhece nesse mesmo lugar,
mas o que não percebe
que isso não passasse de uma rotina,
faz isso com todos, diz que gosta de todos.
Se é involuntário? Somente o voluntário vai saber.

