quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Que seje eterno enquanto dure

Todo ano era sempre igual, lembro-me como se fosse uma daquelas fotografias antigas onde toda família se reunia pra foto. O bom da família morar toda perto é esse, a sua união.

Carnaval, páscoa, dias das mães, dos pais, natal e reveillon, aquela família unida, se junta, comida farta à vera, uma felicidade só, que bom! Ainda somos criança.

Tradição, cumprida a regra, onde nem tudo é pra sempre, o tempo passa (corre), as crianças de ontém, que se juntavam na casa da vó, que brincavam de roda; hoje namoram, casam e fazem outras crianças, os pais agora não têm mais o porque de se unirem para as tais festas, a felicidade enfim vira dor-de-cabeça, tristeza e pra mim — saudade — aquela saudade de ver todos juntos, felizes, de ouvir sermão, de aprender o que é certo e o errado, ser inocente, de não ter preocupação com isso ou aquilo.

Pela primeira vez, passo meu reveillon fora de casa, sem ouvir saudações de feliz ano novo dos pais, e ser abraçado por toda família. Dessa vez escolhi ir onde não funciona celular, onde não tem eletricidade e durmo ouvindo o barulho do mar, ando descalço o dia inteiro, tomo banho de cachoeira, não tenho noção nenhuma de tempo, e na minha primeira noite tenho o prazer de olhar o céu mais estrelado que vi na minha vida, o mais lindo, e que fotografei na minha mente pra nunca esquecer.

Único, é com esta palavra que resumo minha virada de ano, rodeado de amigos, numa praia com uma fogueira enorme, de frente ao mar e com essa belezura de céu que começo uma nova fase de minha vida.

Aquela fotografia da família pode estar empoeirada com o tempo, mas hoje percebo que serve de inspiração pra minha futura geração, e espero que seja assim por outras e outras.


Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
cantar
e cantar
e cantar
a beleza de ser um eterno aprendiz
eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será
mais isso não impede que eu repita
é bonita
é bonita
e é bonita

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